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Por que os seres humanos - e não os chimpanzés - foram capazes de criar uma civilização complexa

Atualizado: 16 de Mai de 2019

Alex M. Ribeiro Jr. | Jan de 2019 | 3 minutos de leitura

A linguagem é uma tecnologia social, desenvolvida pelo ser humano, para promover o fluxo de bens, ideias e a cooperação.

A Torre de Babel é um mito utilizado para explicar a existência das diferentes linguagens do mundo. De acordo com o mito, os seres-humanos da época, que falavam a mesma língua e se concentravam no mesmo local, combinaram de construir uma cidade e uma torre - alta o suficiente para alcançar o céu. Irado, Deus misturou suas vozes para que eles não pudessem se comunicar e os dispersou pelo planeta.


Neste mito, podemos encontrar uma questão central sobre a linguagem e sua relevância. A ideia de fragmentar uma linguagem universal em diversas outras tinha como objetivo oprimir a comunicação e, assim, evitar que a transmissão de ideias proporcionasse a realização de grandes feitos.


Cada hominídeo no seu galho

Podemos entender o poder da linguagem, quando comparamos os seres-humanos com os chimpanzés. Nós compartilhamos o mesmo ramo evolutivo que os primatas, mas 4 milhões de anos de adaptação distinta resultaram em 2% de diferença entre os nossos genes e os deles.


Dentro destes “míseros 2%” de DNAs distintos, se encontra um mecanismo singular, desenvolvido pela raça-humana: a linguagem - uma maneira sistemática e organizada de se comunicar.


Milhões de anos se passaram e os chimpanzés continuam extraindo o capim do solo através de gravetos. Por sua vez, em pouco tempo, os seres-humanos perceberam que era mais eficiente o fazer com uma pá. Por que o Homo Sapiens foi capaz de perceber isso, e não os primatas do gênero Pan?





De acordo com grande parte dos psicólogos e antropólogos, é porque os chimpanzés não possuem uma habilidade que o ser-humano usou e abusou durante a sua evolução: a aprendizagem social.


A linguagem transformou a humanidade


A teoria da aprendizagem social, criada pelo psicólogo Albert Bandura na década de 70, pode ser bem definida através de suas próprias palavras: nós aprendemos com o meio e o meio aprende e se modifica graças às nossas ações.


Isso não vale para os chimpanzés.


De acordo com Mark Pagel, professor da Universidade de Reading: eles parecem não ter a habilidade de aprender uns com os outros através da imitação e da observação. Como resultado disso, eles não são capazes de melhorar as ideias de terceiros, ou aprenderem com erros alheios; eles não beneficiam-se da sabedoria de outros - e por isso, se sobreviverem por mais 1 milhão de anos, provavelmente continuarão a utilizar gravetos para extrair capim do solo.


A capacidade de construir por ou sobre as ideias criadas por terceiros, desenvolvida pelo Homo Sapiens, o ajudou a acumular e aprimorar conhecimentos, bem como transmitir culturas ao longo de gerações.


E essa evolução cultural cumulativa foi responsável por criar a nossa civilização - e quase tudo o que vemos ao nosso redor.





E como ela pode transformar você?

O mesmo Mark Pagel, em uma apresentação do TED, fez uma inteligente suposição:


O que teria acontecido, caso o Homo Sapiens tivesse se acuado frente a possibilidade de ter suas ideias e boas práticas roubadas, e as tivesse preservado apenas para pequenos grupos familiares? De acordo com o biólogo, ainda viveríamos como os neandertais - há 40 mil anos atrás - pois em grupos menores há menos aprendizado coletivo e maior propensão a erros.


Um fato interessante é que muitos dos locais mais isolados do planeta, são justamente aqueles em que há maior densidade de diferentes linguagens. Na ilha de Papua Guiné, por exemplo, é possível encontrar entre 800 a 1.000 linguagens distintas.


No entanto, a internet - a maior comunidade do mundo e aquela na qual mais se circulam ideias, habilidades e sabedoria - a tendência parece ser outra. Estudos afirmam que quase 80% das publicações, 75% da comunicação internacional, 80% da informação armazenada e 90% do conteúdo que circula na internet são em inglês.



Esta imagem não representa um "mapa mundi", mas uma projeção extremamente semelhante - formada pelo fluxo de amizades no Facebook. Este fluxo de ideias seria possível, caso cada usuário se comunicasse apenas com a sua língua materna?


Parecemos estar acelerando o processo de seleção natural, aperfeiçoando a nossa tecnologia de aprendizado social, através da universalização do inglês. E esta tendência nos dá esperança de romper inúmeras barreiras ao fluxo de bens, ideias e à cooperação.


Esse fluxo ainda não é universal, ainda faltam mais de 5 bilhões de pessoas, que possuem sua aprendizagem social restrita por não falarem inglês. Notem que a questão em pauta não é extinguir todas as línguas em detrimento do inglês; trata-se de universalizar a comunicação e a compreensão da língua. Tais habilidades vem se tornando um pré-requisito essencial para se beneficiar do aprendizado e da sabedoria coletiva.


Assim como a linguagem transformou a vida daqueles que a dominavam, e a passos lentos, a humanidade: dominar o inglês e universalizar a sua compreensão pode transformar a sua vida, e da humanidade - desta vez a passos extremamente rápidos.