O que é mais eficiente: ensinar para um só aluno, ou para uma sala de 100.000?

Atualizado: 16 de Mai de 2019

Alex M. Ribeiro Jr. | Fev de 2019 | 4 minutos de leitura


Como a imensa demanda de alunos ao redor do mundo deixou de ser uma pedra no sapato da "educação de qualidade", para se tornar seu grande combustível

Uma das grandes contribuições do psicólogo Benjamin Bloom para a Educação, foi a apresentação do “Problema 2-sigma”, em 1984. O americano compara a eficiência de três diferentes métodos de ensino, através de três grupos.


O primeiro foi exposto a uma aula expositiva padrão; o segundo também, porém com uma abordagem de “domínio de conteúdo” (ou seja, os alunos só avançam ao tópico seguinte quando demonstram ter dominado o anterior); e por fim, o terceiro grupo aprendeu através de instruções um a um, com um tutor.


O gráfico acima mostra, no eixo horizontal, uma determinada nota atingida (quanto mais à direita, mais alta); e no eixo vertical, o número de alunos que atingiram aquela nota (quanto mais alto, mais alunos).


Se fixarmos a nota média das aulas expositivas como um padrão (ponto mais alto do gráfico azul), poderemos observar que aproximadamente 50% dos alunos estão à esquerda e outros 50% à direita; o que significa que metade da sala performou acima da média e metade, abaixo.


Agora, na turma em que os estudantes foram guiados um a um (gráfico verde), 98% deles performaram acima da mesma média. O que também significa que aqueles ensinados individualmente obtiveram uma performance 98% melhor do que aqueles ensinados pelo método convencional.


Há 30 anos, Bloom propôs o seguinte problema


Seria possível fazer com que “um professor para vários estudantes” seja tão eficiente quanto “um professor para um estudante”?

Também há 30 anos, uma idealização perpassa a cabeça dos educadores: como seria nossa sociedade, se pudéssemos ensinar de maneira que 98% dos estudantes atingissem um desempenho acima do que chamamos, hoje, de média?


"O problema não é (só) meu", disse a Educação



Apesar do ensino através de videos online ter gerado novas perspectivas acerca do acesso a conteúdos e ensino de qualidade, a resposta acima ainda permanece no nosso imaginário.


Mas talvez por pouco tempo.


Andrew Ng e Daphne Koller, professores de Stanford, criaram uma das maiores plataformas especializadas nos chamados Massive Open Online Courses - que são cursos onlines desenvolvidos por renomadas instituições acadêmicas. Eles são acessíveis para qualquer pessoa que tenha acesso à internet; e a maior parte é gratuita e não exige pré-requisitos.


Através dos MOOCs, Ng e Koller já atingiram mais de 600 mil estudantes, de 190 países diferentes. E, 30 anos depois, este aparente paradoxo ultrapassa a esfera educacional e se torna um problema também de nível tecnológico.


Afinal, não somos capazes de aumentar o desempenho médio de milhares de estudantes em 98%, porque não somos capazes, como sociedade, de provê-los milhões de tutores.


Mas talvez sejamos capazes de provê-los milhões de smartphones.


O Santo-Graal da Educação


Utilizando palavras bem simples, Machine Learning é a prática de “treinar” uma máquina, para que ela aprenda como executar alguma tarefa, a partir de (e somente a partir de) uma grande quantidade de dados e algoritmos - em outras (simples) palavras: "treiná-la" para ser inteligente.


De acordo com Daphne - em uma apresentação para o TED -, talvez a maior oportunidade que se possa extrair de modelos de ensino como os MOOCs tange ao potencial que eles nos dão em ter um olhar completamente novo sobre como o ser humano aprende.


E tudo graças à grande quantidade de dados que podem ser coletados. Cada clique, envio de dever de casa ou comentário em fóruns podem ser capturados e transformados em aprendizado. Por exemplo: quais são os equívocos mais comuns entre os alunos e como é possível ajudá-los a não cometê-los novamente?


O gráfico exibido acima foi extraído de um dos MOOCs realizados por Andrew, assistido por mais de 100.000 alunos. Cada "x" corresponde a uma resposta errada; e aquele “x” vermelho (maior), no canto superior à esquerda, corresponde a uma questão a qual 2.000 alunos responderam de maneira equivocada.


Notem que só foi possível encontrar este padrão - e perceber que há uma grande dificuldade em determinado assunto ou tipo de questão - pois havia uma grande quantidade de alunos. Se fossem 2 em uma sala de 100, problema algum teria sido identificado; e vida que segue.


Hoje, o avanço da Inteligência Artificial e de suas práticas já estão nos ajudando a resolver o que se chama de Santo-Graal da Educação. Pela primeira vez na história, podemos universalizar o acesso à Educação, ao mesmo tempo em que a tornamos mais personalizada.


Se a grande quantidade de alunos era uma pedra no sapato daqueles sonhavam com aquela sociedade dos "98% de alunos acima da média", e que viam educação um a um como o caminho para ela; hoje ela é o combustível que a torna cada vez mais eficiente.


Por fim, podemos responder a pergunta de Bloom, com uma boa dose de segurança: Sim, é possível que o ensino de "um professor para vários alunos" seja tão eficiente quanto "um para um".


E melhor ainda se for "um para 100.000".




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