O inglês é o latim dos tempos modernos — e o Brasil está às margens do Império

Atualizado: 16 de Mai de 2019

Alex M. Ribeiro Jr. | Jan de 2019 | 3 minutos de leitura


No Brasil, ser fluente na língua equivale a ter um salário cerca de 56% maior em relação àqueles que não o são. Assim, o inglês deixa de ser apenas uma língua; ele se torna uma variável econômica — capaz de alterar estruturas sociais.

O inglês é o novo latim — e um pouco mais. Se a influência do Império Romano era limitada às fronteiras físicas do que se conhecia, hoje esta palavra vai perdendo o seu significado. A digitalização destruiu fronteiras; aquilo que influencia, o faz em escala global.


Uma a cada cinco pessoas fala inglês no mundo. E mais: é a única língua em que se há mais falantes não nativos do que nativos — 950 milhões contra 350, respectivamente — , segundo o renomado linguista inglês David Crystal, em seu livro English as a Global Language.




By Sulez raz - Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=47648162


Inglês: um ciclo vicioso para a desigualdade social



Os números absolutos são impressionantes, mas a distribuição o é ainda mais. No Brasil, por exemplo, apenas 1% da população possui alguma fluência no inglês - de acordo com a British Council.


Os porquês são complexos, mas eles se incluem dentro de uma pauta já bem conhecida: 85% dos brasileiros matriculados no ensino fundamental e médio estudam em escolas públicas.


Esse dado não traria grandes problemas para alguns países como a Suécia (líder no inglês, de acordo com a pesquisa de uma escola de inglês online); mas trás para o Brasil. Aqui, a péssima dinâmica entre as demandas e ofertas de alunos, professores, mercado e do Estado tornam o inglês, no contexto das escolas públicas, praticamente uma língua morta.


Uma pesquisa realizada pela Catho, que envolveu 13 mil pessoas, mostrou o impacto do inglês no mercado de trabalho:


Ser fluente na língua, equivale a ter um salário cerca de 56% maior em relação àqueles que não o são.


Assim, o inglês deixa de ser apenas uma questão comunicativa e cultural; ele se torna uma variável econômica, capaz de alterar estruturas sociais. Ele vem se tornando um elemento democrático quanto à mobilidade social; ele é capaz de impulsionar a ascensão social daqueles que possuem poucas perspectivas nesta direção.


No entanto, no atual contexto brasileiro, percebe-se o inglês alimentando um ciclo de retroalimentação que segue o caminho oposto. Nele, a desigualdade social é responsável por uma má distribuição no ensino de inglês de qualidade. E quanto mais essa má distribuição aumenta — e maior é o peso do inglês como variável econômica — maior é a tendência de aumento da desigualdade social.




O que fazer?


A solução perpassa por um caminho claro: a melhora das metodologias e abordagens, principalmente nas escolas públicas. A British Council também aponta como solução a maior carga horária das aulas, turmas menores (e divididas por nível de conhecimento), treinamento e capacitação presenciais com tutores nativos; e ampliação das oportunidades de intercâmbio para os estudantes


No mais, a tecnologia vem fazendo bem a sua parte. Aplicativos, ferramentas online, Youtube e blogs vêm ampliando a acessibilidade ao ensino de inglês de qualidade — em especial para aqueles 85%, que dependem do fraco ensino das escolas públicas.

A tecnologia de fácil acesso, aliada a uma reforma no ensino e nas relações de aprendizado, pode tornar o inglês um elemento crucial na diminuição da desigualdade.


E o fazer retroalimentar outro ciclo: o da diminuição de barreiras e da melhora da educação.




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