A história de um professor indiano que mostrou ao mundo como a educação realmente acontece

Atualizado: 16 de Mai de 2019

Alex M. Ribeiro Jr. | Jan de 2019 | 3 minutos de leitura

A clássica imagem de um professor para vinte alunos vem se tornando obsoleta e sendo substituída por outra: mais dinâmica, coletiva e personalizada.

O que se vê na imagem abaixo, da década de 30, é o que se vê ainda hoje. Um professor dizendo a mais de vinte alunos o quê e como fazer.



Sabemos que esta proporção de alunos e professores não é ideal, visto que cada estudante possui necessidades específicas tanto em relação ao que precisa aprender, quanto como.


Pensando nisso, o mercado de escolas de inglês vem buscando se adaptar. “Ensino personalizado” e “se adequar às necessidades do estudante” são os slogans dos novos entrantes que visam bater de frente com as mais de 6.000 escolas de idiomas franqueadas no Brasil (Associação Brasileira de Franchising).


No entanto, de acordo com o IBGE: aproximadamente 40 milhões de estudantes frequentam escolas públicas no Brasil. Seria possível personalizar o ensino, tal qual é feito pelas escolas de inglês, neste contexto de escala? É provável que não. Os limites já enfrentados seriam elevados exponencialmente: espaço físico, estrutura, horários disponíveis, números de professores, etc.


Mas a tecnologia aplicada a alguns contextos específicos está nos fornecendo conclusões interessantes - e uma perspectiva otimista para o futuro.


Sugata Mitra é professor de Tecnologia Educacional na Universidade de Newcastle. O indiano se tornou mundialmente famoso após a realização do seu experimento “The Hole in the Wall” - o qual ele descreveu de maneira única em uma de suas apresentações ao TED.



O experimento, realizado em Nova Deli, consistia em instalar um computador em uma parede de um bairro muito pobre. Ele foi replicado de diversas maneiras e em diversas regiões necessitadas da Índia. Em uma delas, na qual as crianças falavam em inglês com sotaque de Telugu, Mitra instalou um reconhecedor de voz no computador. As crianças interagiram com o equipamento, que lhes devolveu algumas letras sem nexo. Quando elas se reportaram ao cientista dizendo que a máquina não os entendia, ele respondeu: “Sim. Irei deixar aqui por dois meses; façam-se entender”.


Dois meses depois - e isso foi documentado no Jornal de Informação e Tecnologia para o Desenvolvimento Internacional - os sotaques haviam mudado. Estavam parecidos com o sotaque britânico programado no reconhecedor de voz. Arthur Clarke chegou a comentar sobre o experimento: “Elas aprenderam rápido a encontrar coisas que as interessavam [...] e quando você tem interesse, a educação acontece.”





A conclusão de Clarke converge com a tendência de personalização do ensino, uma vez que cada ser possui interesses únicos. Mas talvez não seja preciso dar a cada estudante um professor que descubra seus interesses individuais para, então, personalizar o seu aprendizado. Eles conseguem fazer isso sozinhos - e então, personalizar o aprendizado de 40 milhões de alunos não será um grande problema.


O experimento também converge com alguns dos mais empolgantes e respeitados modelos de educação da atualidade - como a sala de aula invertida, proposta pelos professores Jonathan Bergmann e Aaron Sams. Eles defendem que a apresentação de conteúdo ocorra em casa, onde os alunos recebem o conteúdo através de vídeos, textos, áudios, games - e têm maior liberdade quanto à escolha e a ordem do material. O espaço da sala de aula é reservado para que o aluno tenha uma interação maior com o restante da turma, e mais personalizada com o professor.


Assim como quase todas as grandes descobertas realizadas ao longo da nossa História, o aprendizado centrado no aluno vem ocorrendo em concomitância; de diversas maneiras, por pessoas em diferentes lugares e em diferentes contextos. Seja na Índia ou nos Estados Unidos, pensando ou experimentado, a clássica imagem de um professor para vinte alunos vem se tornando obsoleta e sendo substituída por outra - mais dinâmica, coletiva e personalizada.


Escritórios

Nova Iorque

São Paulo

Belo Horizonte

Hamburgo

Soluções

Redes sociais

  • Branco Facebook Ícone
  • Branca Ícone Instagram
  • Branca Ícone LinkedIn

Fale conosco

© 2020 by EduSim